Por que todo mundo deveria ter um blog?

01Oct

Por que todo mundo deveria ter um blog?

Pois bem, resolvi criar meu próprio blog. Este aqui que você lê: http://pablocerdeira.me

Mas por que? E por que você também deveria ter um?

Sim, você deveria ter um, mesmo que seja para apenas compartilhar fotos de gatinhos, ou links interessantes que você coleta pela internet. Não é preciso ter conteúdo original para ter um blog; nem mesmo almejar ser um popstar da internet para isso. Você também não precisa acreditar que o Facebook, o LinkedIn ou o Twitter são empresas do mal, ou que querem controlar a humanidade, para perceber as vantagens desta proposta.

Vou tentar explicar melhor isso.

Concentração da distribuição

Quase sem nos darmos conta, estamos delegando toda a distribuição e o acesso à produção a apenas algumas empresas. Matéria da Fortune de 2015 (Facebook has taken over from Google as a traffic source for news) relata que, de acordo com dados da Parse.ly, 43% do tráfego dos websites já é provido a partir do Facebook, enquanto 38% provem do Google.

O PewResearchCenter apontou que quase metade dos norte-americanos já se informa sobre política e acontecimentos através do Facebook.

Isso é delegar a um pequeno grupo o que deve ser distribuído e como isso deve ser feito. Novamente, não é questão de achar que esta ou aquela empresa podem ter objetivos escusos, ou que podem agir de má-fé. A questão é que isso gera uma dependência no longo prazo que não é saudável para nenhum dos lados. Para o usuário, significa ficar eternamente atrelado a um site específico. Para a empresa, significa que ela terá menos concorrência. E a falta de concorrência gera falta de inovação. Haver concorrência é benéfico para as empresas também, no longo prazo.

Vale ver o anúncio da Mercedez parabenizando a BMW pelos seu centésimo aniversário:

mercedes
Obrigado pelos 100 anos de concorrência. Os nossos 30 primeiros anos foram muito mais fáceis.

 

Guerra contra notícias falsas?

Recentemente, em razão de boatos de que notícias falsas espalhadas pelo Facebook teriam ajudado a eleger Donald Trump, Mark Zuckemberg anunciou que estaria desenvolvendo um mecanismo para impedir a circulação de fatos não-comprovado.

Entretanto, decidir o que é verdadeiro ou falso não é algo simples. Como bem observou Gerry Smith no BloombergTechnology:

Last week, a story claiming that Ford Motor Co. was moving truck production from Mexico to Ohio went viral on Facebook. “The Trump Effect: It’s Happening Already!!” the Facebook user Right Wing News wrote. That story was actually based on a CNN report from 2015, before Donald Trump was even the Republican nominee for president.

The post was neither entirely true nor completely false. It fell into a gray area in the nuanced world of fact-checking, highlighting the thorny challenge of cracking down on fake news. While some articles are obviously fake, like one about the Pope endorsing Trump, many others are misleading, exaggerated or distorted, but contain a kernel of truth. They require judgment calls, and it can be hard to tell where to draw the line, professional fact-checkers say.

 

Em alguns casos, é muito fácil detectar que uma notícia é falsa. Mas, ao menos em boa parte das vezes, isso é impossível. Especialmente quando se trata de texto crítico. Como decidir se um texto escrito por alguém da direita sobre alguém da esquerda é mentiroso? Como avaliar opiniões? E nos casos de furos jornalísticos, que ainda não podem ser confirmados em jornais ou sites tradicionais?

Outros sites

Para não ficar restrito ao Facebook, vale a pena observar problemas em plataformas de divulgação de conteúdo.

O LinkedIn lançou recentemente sua ferramenta de publicação de artigos maiores. Ela é realmente muito boa e muito simples de ser utilizada. Entretanto, para que outros consigam ler seus artigos é preciso ter conta no site. Só por isso já é bastante restritiva, e não deveria ser considerada como principal ferramenta de divulgação de textos e ideias.

Pensando no longo prazo, é preciso que o usuário tenha controle total de seu conteúdo. E isso implica em decidir quando expor, quando retirar, e se o texto deve ficar público, aberto a todos, ou não.

Aumentando o diâmetro de sua bolha

Elie Pariser, na sua famosa fala sobre o Filter Bubble no TED Talk, mostrou como os filtros de customização personalizados podem impactar na audiência de qualquer conteúdo disponibilizado na internet.

O Filter Bubble não é, em princípio, bom ou ruim. Tem vantagens bastante interessantes, como tornar mais fácil para os usuários encontrar aquilo que mais se adequa a seu perfil. Mas, por outro lado, pode fazer com que um determinado conteúdo fique restrito apenas aos círculos mais próximos de quem o publica. Ter um blog próprio pode ajudar a aumentar o diâmetro de sua bolha.

Além disso…

Facebook, LinkedIn e outros são excelentes plataformas para divulgação de textos, ideias e até mesmo para fotos de gatinhos. Entretanto, isso é diferente de ser uma plataforma para hospedagem do conteúdo. Não devemos misturar hospedagem com divulgação.

Pensemos no longo prazo.

Você tavez já tenha tentado encontrar o conteúdo de alguma publicação sua de anos atrás. É bastante complicado, não há categorização ou mesmo meios efetivos que permitam localizar esse conteúdo facilmente.

Existe ainda a possibilidade de um dia, talvez por acidente, ou uma invasão de sua conta, ou mesmo por algum outro motivo qualquer, você ter sua conta deletada, ou bloqueada. E ai, como recuperar tudo o que você já escreveu ou compartilhou?

E se, em alguns anos, o site no qual você hospeda seu conteúdo hoje não estiver mais disponível? E se um dia, nos próximos 30 anos, o Facebook ou o LinkedIn falir e fechar as portas, ou mesmo sofrer uma invasão e tudo for excluído? Mesmo que remota a possibilidade de isso acontecer, ela existe. E no longo prazo não podemos prever o que vai acontecer.

Esse raciocínio serve também para blogs ou sites corporativos, de algum lugar no qual você trabalha. O que acontece com todo o conteúdo que você eventualmente tenha produzido, quando muda de emprego? A chance é grande que você tenha que perder um bom tempo copiando isso para outro local, e que ninguém mais tenha acesso ao que você produziu.

Vantagens de se manter um blog pessoal

Manter um blog pessoal hoje é bastante simples. O WordPress, plataforma desenvolvida em código aberto, oferece até mesmo planos gratuitos no endereço http://www.wordpress.com.

As vantagens de se manter um blog próprio são incontáveis, mas vale listar algumas principais:

1. Você não corre o risco de ter seu conteúdo censurado. Sim, você pode escrever o que quiser. O conteúdo apenas será excluído se realmente você pegar pesado e houver ordem judicial determinando isso (mas ai você mereceu, né? Ou não).

2. Não há risco de a empresa quebrar. Mesmo que o serviço de hospedagem do WordPress.com venha a falir, você ainda pode migrar todo o seu conteúdo para outras empresas semelhantes, ou mesmo hospedar seu conteúdo em um servidor próprio. É possível até mesmo configurar seu blog para lhe enviar periodicamente um backup de seu conteúdo por e-mail.

3. O WordPress é de código aberto. Ou seja, qualquer um pode baixar, analisar, fazer alterações. Então, mesmo que um dia essa plataforma seja superada por outra, com certeza alguém desenvolverá ferramentas de migração do conteúdo (como, aliás, já existem inúmeras hoje).

4. Indexação por ferramentas de pesquisa. Se o seu blog está aberto na internet, qualquer um pode acessar seu conteúdo através de uma pesquisa pelas ferramentas de busca, como Google, Bing, Yahoo etc. As pessoas não precisam ter conta em nenhum lugar para chegar a seu material, e nem mesmo precisam ser amigo, ou amigos de amigos que deem like, para isso. Isso faz com que sua bolha – falando aqui do Filter Bubble de Parise – fique bastante maior. Alguém que não tem qualquer contato com você pode acabar chegando a seu conteúdo.

5. Compartilhamento em redes sociais. Você não perde a oportunidade de continuar postando seu conteúdo nas redes sociais, como Facebook, LinkedIn, Twitter etc. Basta compartilhar o link para a postagem de seu blog. Se quiser, pode até copiar e colar o conteúdo de seu blog nas redes sociais que você usa. Só não o deixe exclusivamente no ambiente que você não controla.

Já há até aplicativos para Android e para iOS que permitem que você poste em seu blog a partir do celular, com replicação automática em seu Facebook, LinkedIn, Twitter etc. Só há vantagens nisso. Você não perde nada.

Como disse no início, você não precisa ser alguém com conteúdo original para ter seu próprio blog. E nem é preciso ter a ambição de ter um blog super visitado. Basta que você queira ter maior controle sobre seu conteúdo, em especial se você está pensando no médio e longo prazo. Pense em um blog não necessariamente como um site de uma empresa, que tem que estar sempre atualizado. Pense mais como um espaço seu aberto a quem interessar, que você controla, e que pode servir como uma espécie de backup das coisas que você acha interessante e que gostaria de compartilhar com os outros. Se você eventualmente publica alguma coisa no Facebook, no LinkedIn ou no Twitter, como eu, então você deveria ter seu próprio ambiente.

Este é o espírito deste blog. Não espere que ele seja atualizado frequentemente, nem espere encontrar aqui conteúdo original, inovador, analítico ou crítico. Vou utilizá-lo como ambiente principal para concentrar o que eu originalmente já publicaria nas redes sociais, ou seja, as coisas que considero ter algum valor. Meu ou de terceiros. O conteúdo aqui é o que, em minha opinião, interessa para mim, mas que pode também, eventualmente, interessar a outras pessoas.

Acho que você deveria fazer o mesmo.

#ficaadica

2 thoughts on “Por que todo mundo deveria ter um blog?

  1. Gostei. Poderia falar também sobre os leitores RSS para blogs e notícias. O Facebook não mostra todo o conteúdo das páginas que a gente segue, por isso precisamos dessa ferramenta para ter acesso a todas as informações dos sites que queremos acompanhaer sem nenhum tipo de filtro.

  2. Obrigado, Norton. E é verdade, nem toquei nas possibilidades de fornecimento de conteúdo integrado, como RSS e como isso remove o filtro. Mas agora você já comentou aqui, e já contribuiu para que os outros saibam de mais esse aspecto 🙂 Valeu!

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