O que as escolas públicas cariocas fizeram para dominar o ranking nacional

24/11/2016 by pablo.cerdeira@gmail.com

Outro dia publiquei uma postagem (ENEM e concursos contra a tecnologia) a respeito dos desafios para o ENEM e outras provas e concursos públicos com o avanço de tecnologias de comunicação miniaturizadas.

Citei que muito provavelmente o número de fraudes com o uso de tecnologia não-detectável já deve ser muito maior do que o anunciado. Lembrando que a maior fraude este ano no ENEM só foi descoberta porque uma pessoa denunciou a existência da quadrilha. Ao final do texto sugeri que deveríamos pensar em novos modelos de avaliação para um futuro breve. Comentei, ainda que superficialmente, modelos que avaliam os alunos em seu dia a dia nas escolas, e não em uma prova com data específica. Citei o exemplo do Geekie, que realiza esse modelo de avaliação constante dos alunos, mas há outros semelhantes já disponíveis.

Agora, pesquisando sobre o impacto da adoção de novas tecnologias no ensino encontrei a página linkada no começo deste texto, do próprio Geekie. Ela relata como a Prefeitura do Rio de Janeiro, em parceria com o setor privado, criou o modelo de Ginásios Experimentais e como estes impactaram em até 154% o rendimento dos alunos no IDEB.

Veja na matéria: O que as escolas públicas cariocas fizeram para dominar o ranking nacional

Um projeto inovador que já nasceu com altíssimo desempenho – e realizado na rede pública. Lançados em 2011, os GECs (Ginásios Experimentais Cariocas) tiveram uma performance invejável na última edição do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), em 2013. Nada menos que 12 GECs ficaram entre as 20 escolas públicas top do Brasil. Nesse curto período de tempo, o grupo dos ginásios experimentais teve melhora de até 154% no desempenho – caso do GEC Mario Casasanta, cuja nota saltou de 2,4 para 6,1 entre os Idebs de 2009 e 2013.

E, por coincidência, neste dia 21.11.2016 o Deutsche Welle publicou uma matéria bastante interessante sobre um desses Ginásios Experimentais, o André Urani, na Rocinha “A escola de onde os alunos não querem sair“:

Na Rocinha, maior favela do Rio de Janeiro, colégio prende atenção dos estudantes sem quadro negro, carteiras individuais ou turmas tradicionais. Resultado: ninguém parece ter pressa de ir para casa.

Estamos em tempos de mudanças nas administrações de prefeituras por todo o País. Os novos prefeitos deveriam olhar para esses exemplos com atenção.

Pablo Cerdeira is the Head of the Center of Technology and Society - CTS/FGV and the former Rio de Janeiro's Chief Data Office